Palmeiras cria regra para as redes sociais dos atletas da base: o que isso ensina às famílias
O coordenador da base do Palmeiras contou que os jovens devem publicar as derrotas, não só as vitórias. Entenda o posicionamento digital de atletas e o papel da família.

O que um jovem jogador publica depois de perder uma partida também faz parte da sua imagem como atleta?
Para o Palmeiras, faz. JP Sampaio, coordenador das categorias de base do clube, contou em entrevista que os atletas da base não devem publicar só as vitórias. Quem posta a conquista também posta a derrota. O exemplo ajuda a explicar uma ideia pouco discutida entre as famílias: posicionamento digital de atletas não é só divulgar gols e melhores momentos.
O que o coordenador contou
Segundo o relato de Sampaio, a orientação surgiu depois de uma competição em que uma equipe da base terminou na última colocação. Ele tirou uma foto dos jogadores e determinou que todos também compartilhassem aquele registro nas redes.
Quem não compartilhasse, contou o dirigente, não poderia mais marcar o clube nem usar a imagem do Palmeiras nas próprias publicações, nem mesmo com a camisa. Ele resumiu a regra assim:
“Se você vai postar a vitória, vai postar a derrota.”
De acordo com o coordenador, todo atleta que chega à base do clube já conhece essa orientação. Ele também relatou que acompanha as publicações dos jogadores e questiona conteúdos que valorizam o desempenho individual quando o resultado da equipe foi ruim. A justificativa apresentada é desenvolver responsabilidade, humildade e a consciência de que o atleta representa uma instituição.
Por que isso importa fora do Palmeiras
A regra é de um clube, mas a pergunta por trás dela serve para qualquer família: o que o perfil do seu filho conta sobre ele?
O Instagram de um atleta de futebol costuma virar uma vitrine de gols, dribles e troféus. Isso é natural. O problema aparece quando o perfil só mostra o lado bom e passa a falar mais do jogador do que do time. Alguns exemplos que o caso do Palmeiras ajuda a enxergar:
- Postar o gol depois de uma goleada sofrida. O lance pode ter sido bonito, mas a publicação passa a ideia de que o resultado da equipe não importa.
- Sumir das redes depois da derrota. Ninguém precisa transformar uma derrota em desabafo, mas um registro simples mostra que o atleta também faz parte dos dias difíceis.
- Comemorar prêmios individuais sem citar os companheiros. Futebol é coletivo, e quem acompanha percebe a diferença.
- Reagir a críticas ou a torcedores no calor do jogo. Um comentário publicado em minutos pode ficar no perfil por anos.
Posicionamento digital é comportamento, não só conteúdo
Quando se fala em redes sociais no futebol de base, a conversa costuma girar em torno de vídeos e edição: como gravar, quais lances escolher, como montar o material. Esses cuidados importam, e já falamos deles em artigos como vídeos nas redes sociais e a observação de talentos.
O exemplo do Palmeiras mostra a outra metade. O comportamento do jogador nas redes também compõe a imagem pública dele: o tom das legendas, a forma de falar dos companheiros e do adversário, a maneira de lidar com uma eliminação. É a mesma atitude que se espera em campo, só que registrada e pública.
Vale um cuidado: a reportagem traz a orientação e a justificativa contadas pelo coordenador. Ela não mostra que esse comportamento tenha levado a contratações ou influenciado decisões de olheiros. O ponto aqui não é “postar a derrota para ser contratado”, e sim entender que a presença digital de um jovem diz algo sobre ele, e que clubes podem ter regras próprias sobre isso.
O que os pais podem fazer
Muitos atletas de base ainda são menores de idade, e o perfil costuma ficar sob os cuidados da família. Algumas orientações práticas:
- Conheçam as regras do clube. Se o seu filho está em uma equipe, pergunte se há orientações sobre redes sociais, uso do escudo, da camisa e de fotos oficiais. Nem toda regra é escrita, e é melhor saber antes.
- Conversem antes de publicar, não depois. Combinem juntos o que entra no perfil e o que não entra. Uma regra simples ajuda: se você não publicaria com o time e o técnico lendo, não publique.
- Deem espaço para os dias ruins. Um registro da derrota, um agradecimento aos companheiros ou uma mensagem de “vamos voltar mais fortes” mostram maturidade.
- Evitem decidir no calor do jogo. Depois de uma partida difícil, vale esperar algumas horas antes de publicar ou responder alguém.
- Lembrem que o perfil é de um menor. Mantenham a senha com os responsáveis e não exponham escola, endereço ou rotina de horários.
- Separem o perfil da pressão. Curtidas não medem a qualidade do atleta. Se o desempenho nas redes começa a pesar mais do que o jogo, é hora de conversar. O artigo sobre como apoiar o filho atleta sem pressionar ajuda nessa conversa.
Conclusão
A orientação apresentada pelo Palmeiras mostra que a presença digital de um atleta envolve mais do que resultados esportivos. A maneira como um jovem se comunica, reconhece dificuldades e representa sua equipe também compõe sua imagem pública. Para as famílias, acompanhar essa presença digital significa considerar não apenas a divulgação de conquistas, mas também a responsabilidade com o conteúdo publicado.
Fontes
- UOL: reportagem em que JP Sampaio detalha a regra para as redes sociais dos jogadores da base do Palmeiras, publicada em 2 de novembro de 2026.
- A fala de Sampaio foi dada ao podcast Um assado para…, do canal de Duda Garbi, e também repercutida pelo Correio Braziliense.
A regra e a justificativa foram relatadas pelo próprio coordenador. Não há informação de que esse comportamento tenha influenciado contratações ou avaliações de olheiros. As interpretações e as orientações aos pais são da GM Sports.


