O que os olheiros procuram em jogadores de futebol? Entenda os critérios de avaliação
Com base em material da FIFA, entenda a diferença entre desempenho atual e potencial e por que a avaliação de um atleta vai além de gols e dribles.

Quem acompanha um filho no futebol de base já se perguntou: o que um olheiro realmente procura? A resposta mais comum seria “gols e dribles”. Mas quem trabalha com identificação de talentos costuma olhar para muito mais do que o lance bonito ou a boa atuação de um único jogo.
A FIFA publicou um material educativo sobre esse assunto, e ele ajuda a entender como funciona uma avaliação de futebol mais estruturada.
O material da FIFA
No FIFA Training Centre, a plataforma de conteúdo técnico da entidade, está disponível o webinar Identifying Football Talent: What Are We Really Looking For? (“Identificando talentos no futebol: o que realmente procuramos?”). Ele é apresentado por Mirelle van Rijbroek, especialista em identificação de talentos da FIFA, e faz parte de uma série sobre o tema, ligada a um curso introdutório de identificação de talentos.
Segundo a descrição oficial, o conteúdo trata da diferença entre desempenho atual e potencial futuro, de como identificar “o jogador de hoje e o jogador de amanhã” e de como reconhecer potencial além do que o atleta entrega no momento.
Este artigo explica essas ideias de forma prática para os pais. A leitura e os exemplos são da GM Sports.
Desempenho atual não é o mesmo que potencial
Desempenho é o que o atleta entrega hoje: a atuação no jogo, os gols, os desarmes, a regularidade. Potencial é a capacidade de continuar evoluindo e chegar mais longe nos próximos anos.
Os dois nem sempre andam juntos. Um atleta pode se destacar muito aos 12 anos e evoluir pouco depois. Outro pode parecer comum hoje e mostrar sinais claros de que vai crescer.
Por isso, uma avaliação bem feita não se pergunta só “ele joga bem?”. Pergunta também “até onde ele pode chegar?”.
O placar de hoje mostra o jogador de hoje. O potencial fala do jogador de amanhã.
O que costuma ser observado além do gol e do drible
O material da FIFA ligado ao curso fala em uma visão completa do jogador, e não apenas de uma qualidade isolada. Na prática, a observação costuma passar por áreas como estas:
- Técnica: domínio, passe, condução, finalização, mas principalmente a técnica usada no momento certo do jogo.
- Tomada de decisão: o que o atleta percebe antes de receber a bola, as opções que escolhe e quanto tempo leva para decidir.
- Comportamento sem a bola: posicionamento, movimentação para receber e recomposição.
- Atitude e comportamento: como reage ao erro, como se comunica com os companheiros e como responde quando o jogo fica difícil.
- Capacidade de aprender: se o atleta absorve correções e evolui de um jogo para outro.
- Físico, com cuidado: velocidade e força importam, mas precisam ser lidas junto com a idade e a fase de desenvolvimento do atleta.
Idade relativa e maturação: por que o maior nem sempre é o melhor
No futebol de base, atletas da mesma categoria podem ter quase um ano de diferença de idade. E crianças da mesma idade amadurecem em ritmos diferentes: algumas crescem e ganham força mais cedo, outras mais tarde.
Isso cria uma armadilha conhecida, que o próprio FIFA Training Centre aborda em conteúdos sobre idade relativa e maturação. Atletas mais velhos dentro da categoria, ou que amadureceram antes, tendem a ser maiores, mais fortes e mais rápidos, e por isso são escolhidos com mais frequência.
Os números mostram o tamanho do efeito. Em uma análise da FIFA sobre a Copa do Mundo Sub-17 de 2025, 39,4% dos jogadores tinham nascido nos três primeiros meses do ano, contra 15,1% nascidos nos três últimos.
Para os pais, a mensagem é importante: se o seu filho nasceu no fim do ano ou ainda não teve o estirão de crescimento, ficar atrás fisicamente agora não significa falta de talento. Uma avaliação bem feita leva isso em conta.
Por que uma avaliação estruturada faz diferença
Uma boa avaliação raramente se baseia em um único jogo. O material da FIFA sobre identificação de talentos fala em métodos de observação como acompanhamento ao vivo, análise de vídeo e uso de dados, combinados em um processo organizado.
Na prática, isso costuma significar:
- Ver o atleta várias vezes, em jogos e contextos diferentes.
- Considerar o contexto: o nível do adversário, a posição em que jogou, o tempo em campo.
- Registrar o que foi visto com critérios claros, e não só pela impressão do momento.
- Comparar com cuidado, levando em conta idade e fase de desenvolvimento.
Um jogo ruim não define um atleta. Um jogo excelente também não.
O que isso muda para os pais
- Olhe além do placar. Pergunte sobre decisões, atitude e evolução, e não só sobre gols.
- Registre mais de um jogo. Uma sequência de jogos mostra regularidade e evolução, algo que um lance isolado não mostra.
- Mostre decisão e comportamento nos vídeos. Lances com o contexto completo, como explicamos nos erros comuns ao gravar com o celular, revelam o que o atleta percebeu e decidiu.
- Tenha paciência com a maturação. Cada atleta cresce no seu tempo, e a comparação com colegas mais desenvolvidos pode ser injusta.
- Desconfie de avaliações rápidas que prometem resultado. Ninguém define o futuro de um atleta em um treino. Veja os cuidados com promessas de peneira, clube e olheiro.
- Entenda o papel das redes. Se o seu filho publica lances, leia também como vídeos nas redes sociais estão sendo usados para observar jovens talentos.
Fontes
- FIFA Training Centre: Identifying Football Talent: What Are We Really Looking For? com Mirelle van Rijbroek
- FIFA Training Centre: Talent Identification Foundation Course
- FIFA Training Centre: Jan Verbeek sobre o efeito da idade relativa
- FIFA Training Centre: Sean Cumming sobre maturação no futebol de base
- FIFA Training Centre: Análise dos jogadores da Copa do Mundo Sub-17 de 2025
Conteúdos consultados em outubro de 2026. As interpretações e os exemplos práticos são da GM Sports.


